Quando pequena eu tinha o costume de traçar planos para a minha vida baseada na minha idade. Eu calculava tudo. Fazia parte dos planos terminar a faculdade com 22 anos e ter o primeiro filho com 24. Não pensava muito no casamento em si, mas esse intervalo de dois anos seria para me estruturar financeiramente, conhecer um cara bacana e casar com ele, pra então poder ter o meu bebê com 24.
Coisa besta, coisa de criança. Tudo me parecia muito simples de administrar.
Mas não foi assim que aconteceu. Casei com 22 anos, não terminei a faculdade, tive meu primeiro filho aos 24 e hoje, com 26 anos, esperando minha segunda filha, casada e sem carreira definida, me deprimo. Sinto que inverti a ordem das coisas. E por mais que o meu terapeuta me diga que foi assim porque não poderia ter sido de outro jeito, que ter filhos agora foi uma maneira de frear minha vida para eu me encontrar com o meu eu-mulher, não me conformo por não ter uma carreira bacana e com um salário razoável (porque poucos são os que tem um salário legal, néam?).
Tipo, me constrange quando alguém me pergunta qual a minha profissão e eu não sei o que dizer. Não que eu ache vergonhoso ser dona de casa, porque eu sei que não é, mas o fato é que essa não é a minha profissão. Pode até ser momentaneamente, mas não é. Saca?
Estou sim - e agora posso encher a boca pra falar - muito feliz com o meu Teozinho e com a chegada da Pérola, com o meu casamento (que não é perfeito aos olhos do mundo, mas que é perfeito pra mim e pra ele), mas sinto que algo me falta. E eu sei bem o que é.
Não nasci pra ser dona de casa, mãe e esposa. Conheço muitas mulheres que conseguem e são felizes assim. Só que eu quero muito mais que isso. Eu preciso desse espaço só meu, onde eu possa aplicar essa energia que me faz querer pular de um galho pra outro. Sei que a minha felicidade está nisso, em conciliar a vida de mãe, mulher, esposa E profissional (seja lá profissional do quê).
Tem gente que me fala que sou nova e que ainda tenho tempo pra me estruturar profissionalmente, mas tantas vezes me sinto "passada", como se a minha hora já tivesse ido embora. Aí, tento pensar que é só mais um aninho e eu posso abrir minhas asas e voar pra onde o vento me levar.
Só que aí começa a parte dificil. E as crianças?? Como ficam?
Ontem tava aqui vendo o Diogo brincar com o Teo e percebi que essa é uma preocupação que não cabe a ele. Ou melhor, cabe, mas é uma preocupação que não o preocupa.
Desde o começo, ele sempre soube que eu estava aqui pra cuidar do Teo, da mesma forma que sabe que estarei aqui no primeiro aninho da Pérola para cuidar dela. Então ele conseguia acordar e ir trabalhar todos os dias sem grandes preocupações.
Agora, e eu? Bom, eu me imagino chorando no primeiro dia que eu sair pra trabalhar. huahuahuahua. Não importa se vão ficar com alguém da família, com babá ou em creche. O que me importa é a distância física entre a gente. E eu sei que não voltarei a trabalhar antes de ter essa parte bem resolvidinha, mas acho que mesmo confiando nos cuidadores dos meus filhos não vai ser fácil.
É, tô neurótica já e a minha filha nem nasceu ainda. Sofro...
Então fico a me perguntar se realmente inverti a ordem.
Será que seria mais fácil organizar a carreira pra depois pensar em filhos? Ou será que fiz certo, mesmo que sem querer? Pode ser que meu terapeuta esteja certo e que se eu tivesse esperado ascender profissionalmente pra depois pensar em filhos eu não os teria. E também pode ser que eu tivesse largado o emprego na hora de voltar da licença maternidade (acho o Ó a mãe ter que colocar um bebê de quatro ou seis meses em creche).
Mas nem isso será capaz de aliviar as dores que me aguardam daqui uns meses. Sei que isso está definido e assim será. Só me resta aproveitar meus últimos meses aqui com os filhotes pra depois poder mergulhar de cabeça nessa busca pela minha plenitude feminina.
7 comentários:
É, Lu, seu dilema, creio eu, ser o maior que uma mulher pode enfrentar... Veja o meu caso, eu tinha já uma profissão, duas pós-graduções e não pensei duas vezes para abandonar tudo e ser apenas mãe. Se é que se pode dizer " apenas". É necessário muita garra e coragem pra fazer isso. Ser mãe em tempo integral não é fácil. Também desejo outro filho e honestamente não sei como ficará minha vida profissional. As vezes tenho muita saudade e me vejo novamente lá atendendo, recebendo meu dinheiro... Talvez isso volte a acontecer um dia, mas certamente não será a mesma coisa . Porque agora, querendo ou não, algo mudou, agora sou mãe e meu pensamento estará sempre com ele,onde eu estiver... Mil beijos!
É, Lu, seu dilema, creio eu, ser o maior que uma mulher pode enfrentar... Veja o meu caso, eu tinha já uma profissão, duas pós-graduções e não pensei duas vezes para abandonar tudo e ser apenas mãe. Se é que se pode dizer " apenas". É necessário muita garra e coragem pra fazer isso. Ser mãe em tempo integral não é fácil. Também desejo outro filho e honestamente não sei como ficará minha vida profissional. As vezes tenho muita saudade e me vejo novamente lá atendendo, recebendo meu dinheiro... Talvez isso volte a acontecer um dia, mas certamente não será a mesma coisa . Porque agora, querendo ou não, algo mudou, agora sou mãe e meu pensamento estará sempre com ele,onde eu estiver... Mil beijos!
Lú, eu penso que nada acontece fora da hora... tudo é providência...
Eu tenho 24, terminei a faculdade e começo minha MBA que durará 2 anos no início de 2011.
Ainda quero trabalhar muito antes de ter meu baby, mas essa minha vontade, pode não ser a vontade DELE, então, eu vou seguindo meus planos, seguindo meu caminho.
Hoje, com a minha atual mentalidade, não pararia de trabalhar para cuidar de um filho, até porque minha situação financeira não permite e eu sou como vc, não nasci para ser apenas mãe, esposa e dona de casa. Amo minha profissão, mas é como eu disse, essa é a minha vontade, pode não ser a vontade do Supremo né...
Força, reza, e já vai programando sua vida para quando a pequena Pérola fizer um aninho...
Beijos
Ai, Lu, como mulher sofre, né? Eu sempre falo isso quando o assunto "Outro bebê" vem à tona.
Porque com um bebê, sou EU que vou ficar 6 ou 7 meses fora do mercado, desatualizada. EU que vou engordar, ficar com estria, estressada, pesada, inchada. Porque EU vou ter que escolher um lugar pra "largar" meu bebê quando eu tiver que voltar.
Porque vai ser o MEU peito que vai vazar enquanto eu atendo um cliente... Os homens não sofrem como nós, mulheres... Porque mãe é mãe. Mãe é foda.
Eu dou graças a Deus de ter podido amamentar o Igor até quando ele quis, ter tirado as fraldas eu mesma, coisas que não faria tendo um filho agora. E eu penso: vale a pena colocar outro bebê no mundo pra deixar os outros cuidarem pra mim? Acho que não.
Você tem uma oportunidade maravilhosa de ser 100% màe. Aproveita. Quando você sentir que é a hora, aí você vai à luta.
Trabalhando ou não, você sofreria do mesmo jeito!
Imagina ter que ir embora com 6 meses do seu bebê e ficar fora de casa o dia inteiro!
Conheço muita mãe que trabalha e não chega aos pés da mãe que eu sou para os meus pequenos!
Fico com eles todas as manhãs, brinco, vou ao parque 1 vez por semana. Eles na escolinha a tarde, levo, vou para faculdade e busco! Eu moro perto da escola e da faculdade, por isso não perco nem 20 min no trajeto. Meu marido ajuda pouco, só a noite, para dormir. Brinco, dou banho, mamá, troco!
Tranquei dois anos da faculdade, 1 ano para cada bebê, fiquei em casa cuidando deles. Foi difícil, mas não me arrependo.
Tenha calma, na fase que vc esta não dá para ficar pensando em trabalho, pense em vc e na Pé!
Pense, se organize que vc consegue fazer tudo. TUDO PASSA, quando vc ver, passou. Daqui a 1 ano vc esta de volta a ativa e pode sair em busca da sua vida profissional. Nem um pouco passada!!!!
ah, eu não tenho esse problema. hauahuahaua
só vou trabalhar fora se for obrigada hauhauahuahauahau
beijo
Lu, querida!
Você nem imagina o quanto te compreendo.
É muito difícil ser mulher, porque sentimos culpa por tudo, diferentemente do homem.
Eu te aconselharia (se é que tenho esse direito) a aceitar numa boa sua condição de agora, mãe e grávida.
Um passo de cada vez. Você vai ver que quando chegar a época certa, você achará a solução.
Beijokas,
Gi & Lucca
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