Como percebi que faz tempo que não venho aqui escrever de mim (eu, euzinha) decidi hoje falar um pouco das transformações nos últimos meses.
Quando engravidei da Pérola eu estava saindo de uma 'leve' depressão pós-parto e tentando resolver a crise-casamenteira-pós-primeiro-filho através da terapia de casal.
Engravidar, pra nós -eu e Diogo- foi um susto. Tanto da primeira quanto da segunda vez. Não estava nos planos, nem financeiros nem emocionais. E por isso e mais uma série de problemas que não vem ao caso citar aqui, passei por uns surtos bem punks durante os primeiro nove meses e os já passados seis meses de agora. Surtos esses que me fizeram repensar cada passo dos últimos anos da minha vida.
Foi sofrido, porque afinal, a verdade dói, mas foi necessário. Necessário pra Luciana mãe, esposa, filha e mulher, principalmente. À muito custo venho desbravando Lucianas novas dentro da velha e nem tão conhecida Luciana. E, caramba, só quem já teve que passar por isso sabe como é difícil!
Descobrir e enfrentar velhos traumas, reviver dores e aceitar essas mesmas dores, assumir parcelas de culpa nos acontecimentos da vida, entender que atraí tantos outros acontecimentos, captar as minhas projeções em outras pessoas, tomar consciência da minha vida real sem me prender às ilusões... ufa! Parece pouco, mas tudo isso mal resolvido, na vida de uma pessoa sem grandes traumas (eu!), rende um tantão assim de problemas.
A gravidez não é um momento pleno e feliz pra mim. Não mesmo. Só agora, no final da segunda, que estou entendendo esse fenômeno. Foi complicado aceitar... passei, aliás, passamos aqui em casa por tempestades devastadoras, daquelas com poder de botar o mundo de pernas pro ar. Sofri calada, me retirei, me isolei porque esse foi o jeito que encontrei de buscar um mínimo de equilíbrio mental. Logo eu, que sempre ousei dos longos desabafos...
Mas com a aceitação veio um tantinho de calmaria. E essa calmaria resultou em um pouquinho mais de felicidade nesse momento tão complexo da minha vida.
Ainda não me 'curei', mas sei que estou seguindo o caminho certo.
Hoje me olho no espelho sem lamentações nem piedade. Começo a aceitar meu corpo em transformação com outros olhos. Vejo as estrias na minha barriga, o peito nem mais tão no lugar e penso em toda a história que tenho pra contar sobre a maternidade. Não carrego mais o peso de uma gravidez indesejada. Sinto cada chutinho da Pérola com um baita sorrisão inevitável no rosto. Sonho com a chegada dela, sem pensar muito no material porque sei que o essencial está aqui dentro de mim, do pai dela e de cada um que anseia o seu nascimento. Me apego na esperança de que tudo vai passar, aquele velho mantra...
São mudanças pequenas, mas tão verdadeiras... tantas tempestades vieram, cada qual em seu momento, pra me preparar e me dizer que muita coisa boa está por vir; que só dependia de mim.
Me atrevo a dizer que sem tantos tombos nada disso seria possível.
Viver em um mundo fantasioso é mais fácil de digerir, mas a questão é quanto tempo estamos dispostos a gastar com uma 'ilusão de ótica'?
Eu já não tenho mais tempo a perder...
5 comentários:
engraçado, né? a gravidez, para mim, tb não é legal. hauhauaha.
e olha que fiz 3 vezes.
fico chata, ruim, mesmo, impaciente, com raiva de tudo, de todos, triste. huahuahuahuaa.
além dos problemas físicos. hauahuahaua
beijo
clap clap
Parabéns Lu
Eu quando nos encontramos da ultima vez já te notei muito diferente e comadre eu adorei.
Eu sempre gostei muito de vc mesmo quando achava algumas atitudes erradas, eu adoro vc, e acho que seremos assim pra sempre, vc está me surpreendendo com tanta maturidade nesse texto e claro na sua vida.
estou aqui sempre e vc sabe disso, curta então muito os ultimos meses de perola linda pois passa rapido, vc é uma mãe-mulher maravilhosa e eu te admiro.
bjks
É, Lu, a gente passa a vida pensando ser algo que não é, e tantando buscar algo inalcançável. A terapia é ótima pra gente colocar os pés no chão e descobrir-nos. Eu fiz dois anos de terapia e ainda não sei quem eu sou....
Ah, eu assisti o Encontro de Casais no cinema. Achei engraçadinho tb... Mas amei o filme "como treinar o seu dragão". Liinnnndoooo demais.
Beijosss
"Não se nasce mulher, torna-se"
Simone de Beauvoir
Parabéns, você escreve muito bem. Parabén também pela clareza das palavras, e por admitir certas coisas que nem todos têm coragem de admitir. E parabéns principalmente pela constante busca.
Você não pára, e é assim que tem que ser. Sempre atrás da tal felicidade, do tal equilíbrio.
Taí, gostei.
Postar um comentário